Como estimular o desejo sexual

No dia-a-dia, recebo pacientes em meu consultório com a queixa de baixa de desejo sexual. E cada ve

Eduquemos pela luz da convivência!

Hoje compartilho com você um lindo texto do meu querido amigo e jornalista Marcos Brogna. Marcos us

 

V Jornada Cepcos – Sexualidade: “o que não tem dono nem nunca terá: diferentes olhares”

agosto 31, 2016 in Cursos

Jornada V Novo

Como estimular o desejo sexual

julho 29, 2016 in Autoconhecimento, Como, Desejo Hipoativo, Relacionamentos

water-290206_640No dia-a-dia, recebo pacientes em meu consultório com a queixa de baixa de desejo sexual. E cada vez mais a faixa etária é menor, como por exemplo entre os 20 e 30 anos. Muitas pessoas podem associar que baixa de desejo é problema das mulheres, mas muitos homens também estão sentindo essa dificuldade.

Várias podem ser as causas da baixa do desejo sexual (desejo sexual hipoativo), como: problemas físicos ou doenças, como alterações hormonais; uso de medicamentos como antidepressivos ou drogas; problemas no relacionamento; baixa autoestima; baixo autoconhecimento; repressão sexual; mitos e tabus; problemas psicológicos/emocionais, socioculturais e religiosos; estresse e ansiedade; entre tantos outros motivos que podem interferir no desejo sexual. Além, claro, de uma mistura de vários desses fatores, que é o mais comum.

Independentemente de quais são os motivos, uma questão que é bem importante e pode prejudicar o desejo sexual é uma crença errônea de que o desejo sexual surge espontaneamente e que ele não necessita ser cultivado. O desejo sexual pode surgir espontaneamente? Sim pode, mas isto não é o mais comum ao longo da vida. Muitas vezes trazemos essa ideia da adolescência e início da vida adulta, quando os hormônios estão à flor da pele (em ebulição), quando tudo é novidade, e dessa maneira o desejo muitas vezes surge mais espontaneamente mesmo.

Quando não se está mais nesta juventude e adicionando-se os tantos compromissos da vida adulta e um estilo de vida não muito saudável, tudo isso corrobora com essa diminuição de desejo. Correria no dia-a-dia, estresse, ansiedade, preocupações financeiras, cuidar da casa, do trabalho, da família, da parceria, do corpo, entre outras “obrigações”, muitas vezes faz com que o cuidado conosco mesmos (sono, atividade física, alimentação, lazer, saúde) e com o(a) parceiro(a) também diminua. Assim, a vida de casal e vida sexual podem ser negligenciados. Mas mesmo assim, queremos ter desejo como tínhamos na adolescência. Isso não parece um pouco irreal? E é.

Pensemos em uma metáfora, o “copo do desejo sexual”, que funciona como um termômetro do desejo. No dia a dia, como está esse copo? Cheio, vazio, meio cheio ou meio vazio? De maneira geral, o que costumamos fazer é apenas enchê-lo um pouco na hora da relação sexual. Nesta hora, se o copo estava vazio, ele apenas enche um pouco, e o resultado é que a relação acaba não sendo lá aquelas coisas, e foi necessário esforço, estímulo consciente para a vontade aparecer. Porém imagine se ao longo dos dias esse copo for sendo enchido, o desejo vai sendo cultivado, vai crescendo, aumentando as chances e oportunidades para ter relação sexual, e a chance dela ser mais gostosa e prazerosa é muito maior.

Bom, então vamos para algumas dicas de como encher o “copo do desejo”:

  • Carinho, atenção, cuidado, falar a mesma linguagem de amor da parceria, romantismo (se a parceria gostar), tudo isso já são formas da pessoa te querer mais perto.
  • Beijos, beijos e beijos. Os beijos são demonstrações de afeto, além de serem demonstrações de desejo, então é importante que eles não aconteçam apenas como precursores do sexo. E existem vários os tipos de beijo, então, por favor, não fique apenas no beijo estilo selinho, e muito menos, o beijo na bochecha e na testa que são beijos habituais em mães, filhos, tios e avós.
  • Toque físico, e não digo toque sexual, apenas toque, como: sentar perto um do outro; mãos dadas; abraços; cafuné; carinho; massagens; deitar de conchinha; assistir filmes/seriados juntinhos, entre tantos outros toques possíveis.
  • Dar asas aos estímulos. Primeiro tenha claro para você mesmo, que tipos de estímulos te aguçam a sexualidade, cito alguns exemplos que ouço no consultório: um corpo bonito, gostoso; um bate papo inteligente; um peitão; um decote; vestimentas sociais; perfume de homem/mulher; determinadas músicas; romantismo; determinados locais; filmes eróticos ou pornôs; ser cuidado(a); entre tantos outros. Esteja atento a eles. Depois de saber o que te estimula, e de começar a percebê-los no dia-a-dia, ao olhar para o estímulo, não comece logo em seguida a pensar nas contas a pagar, continue estimulando o mesmo na sua cabeça, imagine, crie uma fantasia, cultive.
  • Assista filmes que tenham sedução, atração, sexualidade. Se gostar, assista a filmes eróticos e/ou pornô de vez em quando. Leia contos eróticos ou livros eróticos, hoje existe uma quantidade enorme de exemplares.
  • Tenha prazer com você mesmo. Isso mesmo, estou falando de masturbação, autoconhecimento e prazer corporais com auxilio mental.
  • Provoque, estimule a parceria, deixe no ar o que você gostaria de fazer, o que você está fazendo ou pensando com a pessoa, o que você lembrou que já fizeram. A imaginação e a fantasia são seus aliados para o desejo.
  • E lembre-se, a sexualidade é muito mais do que apenas sexo (penetração), existem outras maneiras de se satisfazer e satisfazer a parceria.

Bom, vou deixando você por aqui com algumas reflexões: na sua lista de prioridades como está a vida a dois e a vida sexual? Como anda o seu copo do desejo? E o que você pode fazer para mantê-lo, pelo menos, acima da metade?

Eduquemos pela luz da convivência!

junho 17, 2016 in Autoconhecimento, Como, Gênero, Relacionamentos

Hoje compartilho com você um lindo texto do meu querido amigo e jornalista Marcos Brogna. Marcos usa os acontecimentos recentes do massacre ocorrido em Orlando e o caso do estupro coletivo no RJ para refletirmos sobre a nossa participação no dia a dia (consciente ou inconsciente, implícita ou explicita, direta ou indireta) em educar ou des-educar para o amor e para a diversidade humana, afinal, “diversos somos todos” (Reinaldo Bugarelli)! Confiram!

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Eduquemos pela luz da convivência!

O massacre nos EUA e o caso escabroso no Rio são dois exemplos de que precisamos educar pela tolerância se queremos um mundo habitável

A semana começou com mais uma daquelas notícias que nos tiram um pouco a esperança na humanidade: 50 pessoas mortas de forma cruel e absurda numa casa noturna dos Estados Unidos. É o maior massacre com armas da história daquele país, vitimando um público que já é, há muito tempo, alvo de preconceitos e intolerância. Semanas atrás, outro fato também estarrecedor aconteceu aqui no Brasil: o estupro coletivo de uma jovem no Rio de Janeiro.

Nos EUA, um único homem repleto de ódio atirou matando dezenas e ferindo outras dezenas de pessoas inocentes; no Brasil, foram mais de 30 violentando uma única garota. Em ambos os casos, a monstruosidade está presente, em duas das faces mais cruéis que ainda se revelam nas sociedades atuais: a homofobia e o machismo. O pior é saber que não são casos isolados, já que, só no Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada e, a cada 28 horas, um homossexual é assassinado.

O que nós, educadores e educandos, temos a ver com isso? Com os fatos propriamente ditos, nada, mas com os contextos que os envolvem e com a necessidade da formação de gerações que interrompam esse ciclo de ódio, tudo.

Paulo Freire escreveu que “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Pois, então, podemos, sim, trabalhar para mudar essa realidade, utilizando a arma mais poderosa do planeta, da qual não sai uma única bala nem machuca ninguém: o conhecimento.

Os dois fatos bárbaros descritos aqui são frutos podres de um plantio também podre. São a colheita da violência que brotou do plantio de sementes de ódio. E esse ódio tem um nome muito conhecido de todos nós: o preconceito, que está muitas vezes disfarçado de “tradição” ou até enraizado em uma estranha forma de fé que, em vez do amor, opta pela segregação.

Já chegamos à Lua e em breve chegaremos a Marte, porém ainda não conseguimos entender o universo imenso que há dentro de nós mesmos. Sócrates, há mais de 2 mil anos, já nos convidava a esse passeio profundo ao dizer “Conhece-te a ti mesmo”, ou seja, entenda a complexa natureza que há dentro de ti para poder ser melhor diante de todos.

Somos diferentes porque somos filhos de uma natureza que tem na diversidade a própria razão de existir, mas ainda insistimos em modelos impostos de amor, de afeto, de comportamentos, de felicidade, de escolhas, de gostos e opções.

Ora, que triste ironia! Em vez de exercermos a liberdade de viver a diferença que é da nossa própria natureza, levantamos muralhas para condenar os outros por não fazerem o que fazemos, por não gostarem do que gostamos, como se isso fosse algum problema para nós. A despeito de todos os direitos individuais conquistados ao longo da história, o mundo permanece repleto de fiscais intolerantes, prontos a condenar os que não seguem seus modos, como se houvesse uma “cartilha” única do que é “certo” ou “errado”, “normal” ou “anormal” para uma humanidade tão complexa.

Voltando a Paulo Freire, o que fazer senão educar?

É claro que tudo isso não se ensina apenas na escola, pois são muitos os espaços onde a educação pode (ou não) acontecer. Mas o desafio das instituições de ensino está cada vez maior no sentido da formação humana, que transcende o “conteudismo” das “grades” curriculares e enxerga o educando como pertencente a uma sociedade, a um contexto. Lembrando um pensamento de Mário Sérgio Cortela, “Não é a família que ajuda a escola na formação da criança. É o contrário”. Ou seja, estamos desafiados a uma educação que una escola e família, ligando ambos ao mundo pelo bem da humanidade.

Nelson Mandela falou certa vez que ninguém nasce racista, pois o racismo é algo que se ensina e, da mesma forma que pode ser ensinado, pode ser “desaprendido”. A premissa vale para todos os preconceitos. O machismo e a homofobia, motivadores dos crimes descritos no início deste texto, podem e devem ser “desaprendidos” e o papel dos educadores é muito importante nesse sentido. 

Se queremos um mundo melhor para se viver, um mundo mais justo para nós, para nossos filhos e para todas as futuras gerações, precisamos banir as podres sementes do ódio e plantar, em seu lugar, a semente da tolerância e da convivência. Precisamos abrir mentes e corações para a aceitação da diferença como fator da riqueza de nossa natureza. Ensinar diversidade não muda a natureza de ninguém: o que muda é apenas a forma de enxergar a si mesmo e ao outro, entendendo e respeitando.

(Texto: Marcos Brogna)

http://capacitaopee.com.br/?p=802

Programa Todo Seu – Fantasias Sexuais

maio 6, 2016 in Autoconhecimento, Relacionamentos

Nesta publicação venho compartilhar com você, a minha participação do mês de abril, no dia 19/04/16, no programa Todo Seu, do Ronnie Von. Conversamos neste encontro sobre as fantasias sexuais!
Espero que gostem!

Sexualidade Fluida

março 31, 2016 in Gênero, Relacionamentos

Nesta publicação venho compartilhar com você, uma edição especial no programa Morning Show da Jovem Pan, onde conversamos sobre a sexualidade fluida/gênero neutro. Venha entender um pouco mais sobre este assunto tão atual e importante. Este tema começa no vídeo no tempo 36:40min. E vale sempre lembrar: respeito é bom e todos nós queremos!

Boutique Erótica – Programa Todo Seu

março 3, 2016 in Autoconhecimento, Relacionamentos, Sexo

Nesta publicação venho compartilhar com você, a minha participação no programa Todo Seu, do querido Ronnie Von. Este encontro foi um pouco diferente, fui na boutique erótica Constantine em São Paulo. Quer saber mais sobre esse “universo erótico”, então confira!

 

Comportamentos de risco – Programa Todo Seu

fevereiro 12, 2016 in DSTs, Relacionamentos, Sexo

Nesta publicação venho compartilhar com você, a minha participação do mês de fevereiro, no dia 08/02/16, no programa Todo Seu, do querido Ronnie Von. Conversamos neste encontro, em época de carnaval, sobre os comportamentos de risco! Confiram!

Normalidade versus Diversidade

janeiro 29, 2016 in Sem categoria

What-a-crowd-of-one-might-look-likeCom muita frequência, vemos a palavra “diversidade” ser utilizada como um sinônimo de minorias ou grupos que sofrem preconceitos, como: homossexuais; bissexuais; travestis; transgêneros; negros; mulheres; portadores de deficiência; entre outros. O que está por detrás dessa associação é o conceito de norma ou padrão, ou seja, o que é considerado como “normalidade”. Nesta forma de pensar, o que estaria fora deste conceito (“à margem”) são os diversos (diversidade).

Considero essa associação errônea. O conceito de normalidade e de padrão é muito complexo. Afinal de contas, quem são os normais? Trago aqui dois exemplos que acredito que ilustrem bem esta situação:

  • Shampoo para cabelos normais – existe shampoo para cabelos anormais? Qual é o padrão que está sendo usados para definir os cabelos normais? Quais são estes cabelos normais? Normais para quem e em que continente?
  • Band-aid cor da pele ou lápis de cor da pele -  cor da pele de quem? Que pele estão usando como “padrão” nestes casos?

É possível que você nunca tenha parado para pensar nesses exemplos, questionamentos, nesses padrões que sem ao menos percebermos, de forma mais ou menos explícita nos são impostos.

Quando se trata de seres humanos complexos, mesmo que o “padrão” a ser utilizado seja a maioria ou o que é mais frequente, será que devemos considerar o que está fora deste “padrão” como errado ou com menos valia? Usar a matemática (maioria) é uma forma de “previsão” que ajuda, em muito contextos, mas que, como qualquer outro, não pode ser tomado como verdade ou única forma.

É interessante pensar que o que é normal hoje, pode não ter sido há algum tempo atrás, por exemplo: mulheres não podiam votar, e hoje podem; os negros eram considerados menos inteligentes, hoje sabemos que isso é um mito enorme; a homossexualidade era considerada doença, hoje sabemos que isto também não é verdade; acreditava-se que a masturbação fazia mal à saúde, e hoje sabemos que ela é saudável.

Uma das formas muito utilizadas para reforçar essas discriminações é o conceito de naturalização: algo que é natural, que nasceu junto conosco. Algumas frases que buscam confirmar as suas ideias por meio da naturalização são: “o natural é ser heterossexual”; “as mulheres são naturalmente mais carinhosas/emotivas do que os homens”; “as mulheres naturalmente têm mais habilidades para cuidar dos filhos e da casa”. Natural, inato, será? Não será uma construção com influências sociais, religiosas, culturais e históricas?

Além das diferenças históricas, existem também grandes diferenças regionais. O que é considerado “normal” em alguns países e culturas não é considerado em outras, como por exemplo: cliterectomia (remoção do clitóris) que em alguns países é permitido (principalmente África e Ásia) e muitos outros países é proibido; o casamento homossexual é permitido em alguns países e em outros não; em alguns países é permitido casais homossexuais adotarem crianças e em outros não.

Desta maneira, podemos começar a refletir que os conceitos do que é considerado “normal” ou “correto” são questionáveis. Afinal de contas, eles foram criados por alguém, em determinada época, local, história, religião, cultura, dentre tantos outros fatores.

Refletirmos sobre este tema é de extrema importância, pois há consequências para as pessoas que estão fora do considerado “normal”. Elas sofrem preconceito, discriminação, segregação, perdem oportunidades, às vezes são agredidas fisicamente, e até mesmo mortas, tamanha a intolerância.

A homossexualidade e o racismo são exemplos atualmente mais evidentes da intolerância, sujeitando as pessoas a preconceitos enormes por serem considerados diferentes das pessoas que inventaram o padrão do normal, e com isto, esquece-se que no fundo todas são pessoas que amam, sofrem e buscam sua felicidade, como qualquer um.

Acredito que o importante não é do que ou de quem uma pessoa gosta, mas sim quem ela é, quais são seus valores. O pré-conceito acaba nos impedindo de conhecer muitas coisas e pessoas maravilhosas!

Vale reforçar: não somos iguais a ninguém, somos todos únicos! Temos gostos, habilidades, preferências, características físicas e psíquicas diversas! Ninguém é igual a ninguém, essa é uma das maiores riquezas do mundo! Citando Reinaldo Bugarelli: “Diversos somos todos”.

E você? Vem contribuindo com seus pensamentos, falas e atitudes para que possamos respeitar e valorizar a diversidade humana? Ou vem compactuando com preconceitos e discriminações implícitas achando que existe um único tipo de pessoas “corretas ou normais”? Vamos lembrar que o aprendizado é feito em sua maior parte através do exemplo! Que exemplo você está dando?

Masturbação Feminina

janeiro 14, 2016 in Autoconhecimento

Na minha experiência no consultório, o número de mulheres que nunca se masturbaram ou até mesmo olharam ou tocaram a região vaginal ainda é muito alto. Por definição, a masturbação é o ato de estimular os órgãos genitais, manualmente ou por meio de objetos, com o intuito de obter prazer sexual. O termo masturbação foi formado pela junção das palavras do latim manus, que significa “mãos”, e turbari, que significa “esfregar”, para significar “esfregar com as mãos”. Você pode pensar que essas mulheres devem ser de mais idade, mas não é o caso. A maioria não tem nem 40 anos, o que pode nos trazer uma reflexão importante. O discurso das mulheres vem mudando, elas estão aparentando estar mais livres e menos machistas, porém no dia-a-dia ainda existe uma repressão sexual muito grande. Na prática, hoje, muitas mulheres ainda não se masturbam e quando o fazem não comentam com ninguém, muitas tem vergonha. E mesmo conversar sobre o assunto com suas parcerias ou mesmo com as amigas também não é tão comum.

A masturbação feminina ainda é um tabu. Ainda existe um preconceito de que é errado a mulher se masturbar, ou seja, buscar prazer por ela mesma. A origem desses preconceitos, apesar de muitas vezes não ser consciente, é de que o sexo é apenas para procriação e não para prazer, e quando ele é para prazer é apenas para o homem. Para ilustrar o que estou falando, foi somente no final do século XX que os profissionais de saúde chegaram ao consenso de que a masturbação era normal. Antes disso, acreditava-se erroneamente que era doença ou pecado.

Hoje, nós, especialistas em sexualidade, consideramos a masturbação algo saudável, tanto para homens quanto para mulheres. Vemos como uma forma de autoconhecimento corporal que pode levar a uma sexualidade mais feliz, pois as pessoas que conhecem seu corpo sabem onde e como sentem mais prazer, podendo levar esta autodescoberta para os seus relacionamentos. Como se não bastasse, a masturbação é também uma maneira de descarregar tensões acumuladas e uma excelente forma de se ter prazer. Com frequência, é através da masturbação que as mulheres aprendem a chegar ao orgasmo. E com este aprendizado a respeito de si mesma, ela pode ensinar o(a) seu(sua) parceiro(a). A maioria das mulheres que nunca se masturbou também nunca chegou ao orgasmo.

Além de todo esse tabu e repressão, um outro motivo que ouço com frequência no meu consultório para as mulheres não se masturbarem, dito de maneira até mesmo envergonhada, é de que, no fundo, elas não sabem bem o que fazer e como fazer, ou seja, não tem ideia de como se masturbar. Por isso eu aproveito para trazer algumas informações e dicas para as mulheres aprenderem a se masturbar, e possivelmente chegar ao orgasmo.

  • Escolha um lugar tranquilo e apropriado: escolha um lugar onde possa ficar sozinha, sem medo de ser interrompida. Um local no qual você se sinta bem, segura e relaxada. Normalmente o quarto (cama), o banheiro (banheira) ou sala (sofá) são boas opções.
  • Conheça o seu corpo: pegue um espelho e olhe a sua região vaginal, conheça-se, toque-se. Saiba o que é o que, onde fica cada parte, como funciona. Um grande aliado será o clitóris, protuberância mais sensível e normalmente de maior prazer. Veja detalhadamente imagem a baixo.

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Obs: as “glândulas de Bartholin” são também conhecidas como “glândulas vestibulares” e são as principais responsáveis pela lubrificação.

  • Prepare o ambiente e a sua cabeça: como já comentei sobre o tabu da masturbação e as inibições a respeito do tema, prepare a sua cabeça, foque o seu pensamento nos benefícios dessa autodescoberta, do seu prazer, do seu momento, de aprender a chegar ao orgasmo e poder compartilhar isso com a sua parceria. Prepare o ambiente, deixe uma iluminação mais baixa, coloque uma música que goste, velas aromatizadas podem ser uma boa opção também. Se gostar de alguma loção hidratante, passe devagar pelo seu corpo. Prepare-se para um momento prazeroso e erótico com você mesma.
  • Crie um momento sensual: quando falamos em orgasmo, sabemos que existe um processo para “chegar lá”, tecnicamente chamado de “ciclo de resposta sexual”. De forma simplificada, ele começa pelo desejo sexual, que leva à excitação sexual, que vai aumentando aos poucos até chegar no clímax (orgasmo), finalizando com o relaxamento. Sendo assim, é importante que a masturbação não seja apenas um toque mecânico, afinal de contas a excitação precisa ir aumentando gradativamente. Para isso, você pode usar fantasias sexual, contos eróticos, vídeos eróticos ou pornográficos, ou o que preferir. Seja como for, entre neste mundo sexual, sensual e erótico, que certamente a sua masturbação será muito mais prazerosa.
  • Tempo: muitas mulheres já me disseram que tentaram e não sentiram nada. Ao lhes perguntarem quanto tempo tentaram, a resposta mais comum que ouvi foi toquei um pouco e parei. Como comentei acima, é preciso que o desejo e excitação aumentem, então é necessário dedicar tempo a esse toque, e não apenas segundos ou alguns minutos. Tenha paciência.
  • Toques: os toques podem ser os mais variados. Comece usando a sua mão e dedos. Passe por toda a vulva, lábios, vagina, clitóris. No clitóris, toque-o devagar, não aperte muito, pois isso pode ser incomodo, já que ele é bastante sensível. Experimente toques, intensidades e velocidades diferentes. Você pode usar os dedos para penetrar a vagina ao mesmo tempo que toca o clitóris. Você pode experimentar também o toque indireto do clitóris, por cima da calcinha por exemplo. Pode também usar um objeto, como por exemplo o travesseiro roçando por cima da calcinha ou diretamente. Você pode optar também pelo uso de vibradores para clitóris e para penetração na vagina também.
  • Pratique: como tudo na vida, é através da prática que chegamos a excelência! Lembre-se de tudo que você já aprendeu até hoje, cada coisa teve o seu tempo, umas mais e outras menos, mas com certeza, todas exigiram alguma prática. A masturbação é a mesma coisa. Pratique, pratique e pratique.

Cada um é único, portanto somente você poderá saber qual é a melhor maneira, o melhor toque, melhor lugar. Você é a melhor conhecedora de você mesmo. Agora, se a masturbação, o orgasmo, o desejo, qualquer coisa em relação a sua sexualidade é difícil demais para você e está te trazendo problemas, não hesite em procurar a ajuda de um terapeuta sexual. A sexualidade é para ser bem vivida!

Agora que você conhece mais sobre este assunto, mãos à obra! ;-)

Aids: vamos continuar a não dar atenção? Essa escolha tem trazido sérias consequências.

dezembro 3, 2015 in Sem categoria

imagemNesta terça feira, dia 1º de dezembro, foi comemorado o dia internacional da luta contra a AIDS. E precisamos lutar mesmo. Infelizmente temos visto uma realidade em que a Aids apenas é lembrada neste dia, e também no carnaval. Precisamos urgentemente dar a devida atenção a esta doença que ainda não tem cura, pois os dados são assustadores. Segundo o relatório da Unaids (agência das Nações Unidas pela Aids), no mundo, a estimativa de novas infecções caiu de 3,1 milhões para 2 milhões entre 2000 e 2014. Esta notícia parece animadora, não? Talvez, mas no Brasil os dados são bem diferentes. No Brasil, no ano de 2000 as taxas de novas infecções por ano variavam entre 29 mil e 51 mil (margem de erro das estatísticas). Já em 2014 as taxas subiram para 31 mil a 57 mil novos casos por ano. E ainda mais alarmante, os jovens são os que estão com as taxas de aumento de contaminação de HIV maiores!

Você pode estar se perguntando: não temos hoje mais informações e um dos melhores tratamentos para HIV do mundo? Então porque esses números têm crescido no Brasil e principalmente entre os jovens? Trago aqui algumas considerações a respeito:

  • Fala-se muito pouco sobre a AIDS – fala-se pouco nas mídias, nas escolas, nas famílias, no governo… com isso, vemos desinformações e a perpetuação de vários mitos e tabus relacionados a: formas de contaminação; quem está sujeito a se contaminar; como funciona o tratamento; entre tantos outros.
  • Preconceito – muitas pessoas ainda acham que existe um grupo de risco específico. Não há! Existem comportamentos de risco, ou seja, todos nós, se não nos cuidarmos e não usarmos preservativos, podemos nos contaminar. TODOS!
  • Referências de pessoas – como felizmente hoje temos um tratamento aos soropositivos de referência mundial, não vemos com frequência pessoas morrendo em decorrência da AIDS, o que é fantástico! Porém, por outro lado, principalmente os jovens, não veem mais os seus ídolos morrendo em função da AIDS, e assim acham que não esta é mais uma doença grave. Ledo engano.
  • Falta prevenção –cada vez mais o foco em relação a AIDS é incentivar as pessoas a fazerem os exames de detecção para iniciar logo o tratamento, quando o vírus é detectado, mas cada vez menos vemos o foco na prevenção! Precisamos de todo apoio para que tornemos o uso da camisinha masculina e feminina um habito intrínseco, e não uma opção. Para isso, é necessário que este seja um assunto a ser “martelado” em nossas cabeças, com grande frequência. Por exemplo, que filmes, series e novelas (que tanto falam e mostram sexo) mostram o uso da camisinha?! Estamos falando de prevenção!
  • Falta trabalhamos a questão do afeto – além do pouco incentivo ao uso dos preservativos, é preciso que este foco não seja apenas na mera informação do tipo “use camisinha”. É preciso trazer conhecimento (informação + afeto). Mais informações do tipo: como usar; em que momento usar; qual tipo de preservativo usar; em que modalidade sexual (oral, vaginal, anal). Além disso, precisamos trabalhar a questão da autoestima, do autoconhecimento e do respeito. Ou seja, muitas vezes a falta do uso do preservativo acontece por não se conseguir dizer “não” a um/uma parceiro(a) que possa estar fazendo chantagem emocional, usando a máscara do amor como desculpa. Se uma pessoa não tiver uma boa autoestima e respeito a si e ao outro, ela não vai usar.
  • Aliar ao combate às drogas – um dos motivos que muitas vezes faz os jovens e até mesmo os adultos não usarem o preservativo é o uso de drogas, que faz com eles não se lembrem ou não se importem em se proteger. Isso infelizmente é muito comum nas baladas, raves, HPs (house partys, festas em casa). E quando eu digo drogas, estou me referindo a todas, e obviamente isso inclui o álcool.

Portanto precisamos colocar a “boca no trombone” para falar de Aids, sexo, relacionamentos, drogas, autoestima, autoconhecimento, respeito, educação sexual, diversidade… Tudo isso está relacionado. Estamos falando de preservação da vida!